sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Rubem Braga, inventor da crônica moderna brasileira

Publicada em 12 de janeiro de 2015
O escritor, que faleceu em 1990, em visita a CachoeiroO escritor, que faleceu em 1990, em visita a Cachoeiro

Considerado o inventor da crônica brasileira moderna, o cachoeirense Rubem Braga (1913-1990) completaria 102 anos nesta segunda-feira (12). Filho de Raquel Coelho Braga e Francisco Carvalho Braga, primeiro prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, iniciou seus estudos na cidade.

Iniciou a faculdade de Direito no Rio de Janeiro, mas se formou em Belo Horizonte, em 1932, depois de ter participado, como repórter dos Diários Associados, da cobertura da Revolução Constitucionalista, em Minas Gerais.

Foi correspondente de guerra do Diário Carioca na Itália, onde escreveu o livro "Com a FEB na Itália", em 1945, sendo que lá fez amizade com Joel Silveira. De volta ao Brasil morou em Recife, Porto Alegre e São Paulo, antes de se estabelecer definitivamente no Rio de Janeiro, primeiro numa pensão do Catete, onde foi companheiro de Graciliano Ramos; depois, numa casa no Posto Seis, em Copacabana, e, por fim, na mítica cobertura da Rua Barão da Torre, em Ipanema.

Seu primeiro livro, "O Conde e o Passarinho", foi publicado em 1936, quando o autor tinha 22 anos, pela Editora José Olympio. Na crônica-título, escreveu: "A minha vida sempre foi orientada pelo fato de eu não pretender ser conde." De fato, quase tanto como pelos seus livros, o cronista ficou famoso pelo seu temperamento introspectivo e por gostar da solidão. Como escritor, Rubem Braga teve a característica singular de ser o único autor nacional de primeira linha a se tornar célebre exclusivamente através da crônica, um gênero que não é recomendável a quem almeja a posteridade.

Com Fernando Sabino e Otto Lara Resende, Rubem Braga fundou, em 1968, a editora Sabiá, responsável pelo lançamento no Brasil de escritores como Gabriel Garcia Márquez, Pablo Neruda e Jorge Luis Borges.

Segundo o crítico Afrânio Coutinho, a marca registrada dos textos de Rubem Braga é a "crônica poética, na qual alia um estilo próprio a um intenso lirismo, provocado pelos acontecimentos cotidianos, pelas paisagens, pelos estados de alma, pelas pessoas, pela natureza."

A chave para entendermos a popularidade de sua obra, toda ela composta de volumes de crônicas sucessivamente esgotados, foi dada pelo próprio escritor: ele gostava de declarar que um dos versos mais bonitos de Camões ("A grande dor das coisas que passaram") fora escrito apenas com palavras corriqueiras do idioma. Da mesma forma, suas crônicas eram marcadas pela linguagem coloquial e pelas temáticas simples.

Como jornalista, Braga exerceu as funções de repórter, redator, editorialista e cronista em jornais e revistas do Rio, de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. Foi correspondente de "O Globo" em Paris, em 1947, e do "Correio da Manhã"; em 1950. Amigo de Café Filho (vice-presidente e depois presidente do Brasil) foi nomeado Chefe do Escritório Comercial do Brasil em Santiago, no Chile, em 1953. Em 1961, com os amigos Jânio Quadros na Presidência e Affonso Arinos no Itamaraty, tornou-se Embaixador do Brasil no Marrocos. Mas Braga nunca se afastou do jornalismo. Fez reportagens sobre assuntos culturais, econômicos e políticos na Argentina, nos Estados Unidos, em Cuba, e em outros países. Quando faleceu, era funcionário da TV Globo.

Rubem Braga morreu no Rio, em 19 de dezembro de 1990, deixando mais de 15 mil crônicas escritas em mais de 62 anos de jornalismo.

Bienal

Em homenagem ao cronista, o município de Cachoeiro promove a Bienal Rubem Braga, um dos maiores e mais importantes eventos culturais do Espírito Santo. A próxima edição, em 2016, já é planejada pela prefeitura e pela Associação Cultural Casa dos Braga, criada em 2014. O cronista dá nome, também, à lei de incentivo cultural do município, que já financiou diversos projetos culturais.
 
A Traição das Elegantes – crônica de Rubem Braga
 “As fotos estão sensacionais, mas algumas das elegantes não souberam posar” – confessou Ibrahim Sued a respeito da reportagem em cores sobre as “Mais Elegantes de 1967” publicada em Manchete.
A verdade é mais grave, e todos a sentem: as “Mais Elegantes” estão às vezes francamente ridículas, às vezes com um ar de boboca e jeca, às vezes simplesmente banais. A culpa não será de Ibrahim, nem do fotógrafo, nem da revista, nem das senhoras; o que aconteceu é misterioso, desagradável, mas completamente indisfarçável: alguém ou, digamos, Algo, Algo com maiúscula, fez uma brincadeira de mau gosto, ou talvez, o que é pior, uma coisa séria e não uma brincadeira; como se fossem as três palavras de advertência que certa mão traçou na parede do salão de festim de Baltazar; apenas não escreveu nas paredes, mas nas próprias figuras humanas, em seus olhos e semblantes, em suas mãos e seus corpos: “Deus contou o dia de teus reinos e lhes marcou o fim; pesado foste na balança, e te faltava peso; dividido será teu reino”.
Oh, não, eu não quero ser o profeta Daniel da Rua do Riachuelo; mas aconteceu alguma coisa, e essas damas que eram para ser como símbolos supremos de elegância e distinção, mitos e sonhos da plebe, Algo as carimbou na testa com o “Manê, Tekel, Farés” da vulgaridade pomposa e fora de tempo. Oh, digamos que escapou apenas uma e que há uma outra que não está assim tão mal. Mas as doze restantes (pois desta vez são catorze) que aura envenenada lhes tirou o encanto, e as deixou ali tão enfeitadas e tão banais, tão pateticamente sem graça, expostas naquelas páginas coloridas como risíveis manequins em uma vitrina de subúrbio?
Que aconteceu? Ninguém pode duvidar da elegância dessas damas, mesmo porque muitas não fazem outra coisa a não ser isto: ser elegantes. Elas são parte do patrimônio emocional e estético da Nação, são respeitadas, admiradas, invejadas, adoradas desde os tempos de “Sombra”; vivem em nichos de altares invisíveis, movem-se em passarelas de supremo prestigio mundano – e subitamente, oh! ai! ui! um misterioso Satanás as precipita no inferno imóvel da paspalhice e do tédio, e as prende ali, com seus sorrisos parados, seus olhos fixos a fitar o nada, estupidamente o nada – quase todas, meu Deus, tão “Shangai”, tão “Shangai” que nos inspiram uma certa vergonha – o Itamarati devia proibir a exportação desse número da revista para que não se riam demasiado de nós lá fora!
Não sou místico; custa-me acreditar que algum Espírito Vingador tenha feito esse milagre contrário. A culpa será talvez da “Revolução”, que tornou os ricos tão seguros de si mesmos, tão insensatos e vitoriosos e ostentadores e fátuos que suas mulheres perderam o desconfiômetro, e elas envolvem os corpos em qualquer pano berrante que melífluos costureiros desenham e dizem – “a moda é isto” – e se postam ali, diante da população cada vez mais pobre, neste país em que mínguam o pão e o remédio, e se suprimem as liberdades – coloridas e funéreas, ajaezadas, e ocas, vazias e duras, sem espírito e sem graça nenhuma.
Há poucos meses, ao aceno de uma revista americana, disputaram-se algumas delas a honra de serem escolhidas, como mocinhas de subúrbio querendo ser “misses”, e no fim apareceram numas fotos de publicidade comercial, prosaicamente usadas como joguetes de gringos espertos. Desta vez é pior: não anunciaram nada a não ser a inanidade de si mesmas tragicamente despojadas de seus feitiços.
Direi que a derrota das “Mais Elegantes” não importa… Importa! As moças pobres e remediadas, a normalista, a filha do coronel do Exército que mora no Grajaú, a funcionaria da coletoria estadual de Miracema, a noiva do eletricista – todas aprenderam a se mirar nessas deusas, a suspirar invejando-as, mas admirando-as; era o charme dessas senhoras, suas festas, suas viagens, suas legendas douradas de luxo que romantizavam a riqueza e o desnível social; eram aves de luxo que enobreciam com sua graça a injustiça fundamental da sociedade burguesa.
Elas tinham o dever de continuar maravilhosas, imarcescíveis, magníficas. É possível que pessoalmente assim continuem; mas houve aquele momento em que um vento escarninho as desfigurou em plebéias enfeitadas, em caricaturas de si mesmas, espaventosas e frias.
Quero frisar que dessas senhoras são poucas as que conheço pessoalmente, e lhes dedico a maior admiração e o mais cuidadoso respeito. Não há, neste caso, nenhuma implicação pessoal. Estou apenas ecoando um sentimento coletivo de pena e desgosto, de embaraço e desilusão: nossas deusas apareceram de súbito a uma luz galhofeira, ingrata e cruel; sentimo-nos traídos, desapontados, constrangidos, desamparados e sem fé.
É duro confessar isto, mas é preciso forrar o coração de dureza, porque não sabemos se tudo isso é o fim de uma era ou o começo de uma nova era mais desolada e difícil de suportar.
 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

BLOG NA EDUCAÇÃO

Analisando os artigos de Andrea Bruzaca e Joseane Piechnicki,pode-se perceber que eles têm pontos  muito relevantes, um desses pontos é o de o blog ser uma ferramenta importantíssima na educação. As tecnologias na educação são essenciais, o blog em especial permite ao aluno desenvolver melhor sua criatividade,se tornando um cidadão crítico e integrado a outras pessoas e ideias, e o mais interessante disso tudo é a maneira como isso é feito, pois o blog ultrpassa as paredes da scola, não só o blog mas as tecnologias de um modo geral, isso é um dos fatores que as tornam bem atrativas.
  O uso do blog na educação traz  benefícios que auxiliam o aluno no desenvolvimento da escrita , na relação  inter- pessoal, a obter informações, compartilhar ideias aprendendo a compreendê-las e respeitá-las, enfim é uma troca de informações.
Tais ferramentas são muito importantes, mas o professor juntamente com a escola deve estar diposto a ousar e progredir, pois encontramos escolas com toda uma estrtura tecnológica,  mas sem nenhum uso, ou seja desinterese total da parte do professor e da escola.
A tendência do uso das tecnologias na educação é somente crescer a cada dia , mas o professor tem que está preparado ou se preparar para essa grande mudança de uma maneira bem aberta e receptiva.

domingo, 25 de março de 2012

Gênero crônica

A crônica é um dos mais antigos gêneros jornalísticos. No Brasil, a crônica surgiu há uns 150 ano,com o Romantismo e o desenvolvimento da imprensa.A crônica é um texto mais curto que tem a finalidade e intenção de apresentar os fatos cotidianos de forma artística e pessoal, ela tem uma característica bem natural e original, o com que ela ganhasse prestígio entre nós podendo até dizer que é um gênero brasileiro.
     Entre os muitos escritores que se destacam como autores de crônicas estão Machado de Assis, Olavo Bilac, França Júnior, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Lourenço Diaféria,Luiz Fernando Veríssimo, Marcos Rey.
Gênero híbrido que oscila entre a literatura eo jornalismo, a crônica é o resultado da visão pessoal subjetiva do cronista ante um fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano, muitas vezes explora o humor, mas também pode abordar coisas mais sérias por meio de uma aparente conversa banal.
  A crônica é quase sempre um texto curto, redigido numa linguagem descompromissada, coloquial, simples o que a torna mais próxima do leitor, por isso ela é tão popular, não contém muitos personagense se inicia quando os fatos principais da narrativa estão por acontecer, suas ações ocorrem num único espaço e o tempo não dura mais do cque alguns minutos ou, no máximo , algumas horas. A crônica admite narador em 1ªe 3ª pessoas, isto é, o narrador pode participar dos fatos e refletir sobre eles como personagem ou ser observador daquilo que narra ou comenta.

Rubem Braga, um dos maiores cronistas de tendências contemporâneas.